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Pelo olhar, descobrir o cotidiano: o desafio lúdico em unidades socioeducativas

O Freirianamente: educação, cinema e direitos humanos é um projeto desenvolvido pelo grupo Mutum: educação, docência e cinema, grupo de pesquisa ligado à Faculdade de Educação da UFMG,  de Belo Horizonte. As ações acontecem nas unidades da Escola Jovem Protagonista, que recebem alunos sob medidas socioeducativas. Para os educadores do projeto, como Ana Lúcia de Faria e Azevedo e Rodrigo Monteiro, o cinema e o audiovisual são ferramentas que possibilitam outras modulações e perspectivas da realidade pelos estudantes.

Em uma das atividades, Monteiro utilizou o texto Vista Cansada, de Otto Lara Resende e destacou dois trechos da obra: “…Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver..Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos”. Sob essa perspectiva, o projeto tem se equilibrado sobre dois eixos principais: a necessidade de se estranhar mesmo o que é familiar e ter coragem para descobrir outras imagens em meio ao que é conhecido.

Esse recorte possibilita, também, o convite aos alunos a redesenharem a imagem e a estima de si. Durante a Semana da Consciência negra, em novembro do ano passado, os alunos desenvolveram trabalhos que refletiam sobre a condição e representação das pessoas negras. Os jovens das Unidades Horto e São Jerônimo discutiram acerca das representações do corpo das pessoas negras no Brasil e os estereótipos do belo e feio difundidos em nossa cultura, bem como os consequentes efeitos na construção das identidades. Como metodologia, a atividade analisou imagens midiáticas e propôs a realização de intervenções estéticas no próprio corpo dos alunos, especialmente por meio da montagem de penteados afro. A atividade foi fotografada,  o que entusiasmou os estudantes. Eles solicitaram que se fotografasse também a festa de encerramento das Unidades Socioeducativas, quando há a presença das famílias. Alguns dos agentes de segurança também pediram aos educadores para que fossem produzidas as fotos.

Devido ao regime socioeducativo, os rostos dos jovens não podem aparecer nas fotografias: porém,  inventam outros ângulos para registrar e compartilhar os momentos de alegria.

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