apresentação

Através do cinema podemos ter uma experiência singular e intensa com o mundo, uma experiência que é a própria invenção do mundo em que vivemos. No projeto Inventar com a Diferença – cinema, educação e direitos humanos buscamos compartilhar saberes e práticas para que todos aqueles interessados em levar o cinema e os direitos humanos para a educação possam fazê-lo, mesmo que não tenham qualquer experiência com as técnicas cinematográfica ou mesmo com a linguagem audiovisual.

É no fazer cinema, lidando com o seu entorno, com a alteridade e com as diferenças, que adultos e crianças trabalham e inventam juntos. É durante o processo que descobrimos a força que existe em criar um ponto-de-vista sobre o mundo ou um lugar para ouvir aquilo que nunca antes havíamos parado para escutar.

As propostas reunidas neste site partem de um conhecimento acumulado em alguns anos no ensino de cinema na universidade e em diversas parcerias com escolas livres, cursos técnicos e profissionalizantes, oficinas, debates, mostras, seminários, congressos, aulas públicas e reflexões permanentes. Se você é uma professora ou professor, estudante ou mesmo um(a) entusiasta na relação entre o cinema, a educação e os direitos humanos, a / o convidamos a navegar por nosso site e conhecer um pouco mais do que vem acontecendo nas escolas e universidade pública em todo o país.

Uma pequena retrospectiva

Na primeira edição do Inventar com a Diferença, em 2014, atuamos nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, reunindo centenas de escolas e professores e milhares de estudantes. Partimos de premissas muitos simples para nosso trabalho, que permitiam que grupos nas escolas, com quase nenhum recurso técnico ou expertise, pudessem produzir imagens e sons, fazendo-os circular em seus meios, debatendo ativamente o que se fazia. Os resultados dessa experiência nos levaram a mais de 1.400 vídeos que apontam para desdobramentos os quais, ainda hoje, tentamos compreender. Essa experiência nos deixou clara a necessidade de seguirmos investindo na pesquisa do cinema na educação, ampliando nosso repertório, estimulando mais professores e consolidando uma ação ainda pouco vivenciada no Brasil.

Parte significativa do que foi realizado através do Inventar com a Diferença pode ser encontrado no link abaixo e revela as múltiplas combinações possíveis para diversos exercícios, bem como suas variações formais e temáticas. Também compartilhamos as diferentes paisagens e corpos representados, nos mostrando a enorme diversidade humana, geográfica, idiomática e cultural do país.

Acreditamos que tão importante quanto o processo são essas imagens e narrativas, geradas e montadas. São elas que podem circular, afetar e colocar aquele que está distante em contato com outras maneiras de experimentar o mundo, estimulando o direito de cada um a narrar o próprio território, a própria vida.

Em 2015, fizemos uma parceria com a prefeitura de São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Pela primeira vez tivemos a experiência de oferecer oficinas para todas as escolas do ensino municipal de uma mesma cidade, trabalhando em conjunto com os professores da rede e mediadores locais. O que se passou por lá  também pode ser encontrado integralmente no link abaixo.

     

Inventar com a Diferença – hoje 

Os resultados obtidos na primeira edição do Inventar nos deram a certeza da necessária manutenção e permanência do projeto nas escolas públicas brasileiras. Para alcançar uma certa continuidade e institucionalização descentralizadas da equipe da Universidade Federal Fluminense – UFF, o Inventar com a Diferença 2, em andamento, mudou a sua forma de atuação. Esse novo modelo foi implementado com a seleção de parceiros que já tinham alguma experiência em projetos de cinema e educação. Esses parceiros são divididos em dois grupos:  1) entidades civis  e ONGs e 2) laboratórios e grupos de extensão e pesquisa ligados às Universidades públicas e Institutos de Educação.

A seleção deu-se através de uma Convocatória que selecionou 25 dos 151 projetos inscritos (sendo 9 do Norte, 42 do Nordeste, 17 do Centro-Oeste, 63 do Sudeste, 20 do Sul), com proposições diferentes e relevantes e que cruzam cinema, educação e direitos humanos das mais variadas maneiras. A seleção dos parceiros levou em consideração a afinidade dos projetos com a metodologia e os conceitos fundamentais para o Inventar.  Se no primeiro ano tínhamos uma preocupação maior com os números de professores e alunos atendidos, tentamos agora equilibrar essa necessidade, com o desejo de levar o projeto para lugares mais periféricos e menos assistidos socioculturalmente.

Neste contexto não existe um padrão simétrico na atuação dos parceiros. Temos parceiros atuando em várias escolas e outros que trabalham com uma única escola numa região de difícil acesso, onde os alunos têm seu primeiro contato com a linguagem audiovisual. E que, por outro lado, são crianças e adolescentes que vivem diariamente situações em que seus direitos são aviltados, e, por conta dessa realidade,  revelam uma  grande maturidade neste debate.

Diante dessa nova configuração, seguimos nos perguntando: o que pode uma imagem? O que pode o cinema? Como ele pode auxiliar-nos na invenção de processos pedagógicos mais democráticos e emancipatórios, que ofereçam aos estudantes a possibilidade de atuar politicamente? Como pode o cinema produzir novos territórios sensíveis e afetivos, permitindo um compartilhamento do tempo-espaço do mundo com os outros? Sem perder de vista as possibilidades estéticas e criadoras da arte, cremos na potência do cinema, das imagens e sons, diante de um estado de precariedade e fragilidade da nossa educação pública. Acreditamos que o cinema é mais do que uma ferramenta, uma tecnologia, um campo da arte e do entretenimento: o cinema é uma forma de ver, pensar e inventar o mundo em que vivemos.

Cinema-direitos-humanos: porque criar é um direito de todos e porque criando inventamos um mundo comum.

Aos que se interessam, nosso convite!